Google+ Pictuelle Photography: A história do velho Austin

5 de fevereiro de 2011

A história do velho Austin

Vasculhando na internet acabei encontrando uma divertida história que aconteceu na minha família a uns 45 anos atrás aprox. Vale a leitura.
O velho Austin
Imagem disponível em Showroom Imagens do Passado
Motor era tão fraco que mal conseguia mover seu próprio peso
  • Texto: Mirna Bom Sucesso/Celito Córdova
(02-10-09) – Histórias estranhas de roubo de carro não são estranhas para nós. Quem não se lembra do ladrão que roubou um Uno e dias depois o devolveu com rodas novinhas? Embora os leitores tenham sugerido diversas motivações, até hoje a dona do Uninho não descobriu a verdade sobre o fato.
Desta vez, é o leitor Celito Córdova quem narra uma divertida situação com o velho Austin, carro que pertenceu ao seu pai nos anos 1960 e 70. O motivo da devolução do carro era óbvio; o do roubo, porém, nem tanto.

Conta Celito:
– Roubaram o Austin! Roubaram o Austin!
Os gritos foram tão altos que a família toda acordou em polvorosa.
Saltei da cama e corri para janela do sótão da velha casa de madeira da rua lateral a Roberto Ziemann, onde eu e mais uns quatro irmãos dormíamos em colchões de palha de milho sobre tarimbas de madeira feitas pela nossa mãe – Frau Hilda. Da janela avistei apenas a pedra que servia de calço para o Austin, já que o mesmo não tinha freio de mão. Ele havia sumido da rua, em frente a casa, onde pernoitava. Não tinha garagem para ele.

O Austin era uma camionetezinha inglesa fabricada em 1946, acho eu. Era bonitinha, bem pintada. E só. Este é o único bom adjetivo possível. Vá lá, os pneus estavam bons, pronto. Todo o resto deixava a desejar. O motor era tão fraco que mal conseguia mover seu próprio peso. Tinha uma pequena carroceria de madeira onde eu jamais vi carga alguma ser carregada, pois o carro não conseguiria andar com peso extra.

Certa vez meu pai recebeu uma proposta de compra por parte de um comerciante de São Bento do Sul, a uns 70 km. de Jaraguá do Sul. Estrada ruim, buracos, pedras, subidas. Tudo que o Austin não queria.

No primeiro dia o carrinho não andou mais de 5 km depois que passou Corupá. Na primeira subida foi para o cepo e o bravo motorista teve de retornar. Difícil foi fazer a volta, já que o Austin não tinha ré. No dia seguinte saiu de casa bem cedinho e levou o seu compadre e parceiro de pescarias, o tio Luiz. Estratégia montada, lá foram eles. Quando o Austin morria no meio do morro, o tio Luiz saltava e calçava o pneu antes que o carro voltasse de ré. Precisava ser rápido, pois o Austin não tinha freios. Esperavam alguém para os rebocar até o alto da subida e prosseguiam até o próximo morro. Assim foram até subir a serra e chegar ao destino. Chegaram felizmente antes de anoitecer, pois os faróis do Austin não acendiam. O negócio não deu certo uma vez que a proposta – um cavalo, um revólver e uma charrete, não agradou.

Dias depois outro interessado na camionete lá estava, andando em volta e chutando os pneus – hábito de quem está olhando para comprar.

– Mas... esse carro anda bem, seu Jonas? – pergunta o pretensioso comprador, desconfiado com a visível fragilidade do Austin.
– Olha, isso aí no asfalto... depois que embala....

O infeliz acabou levando o Austin a despeito de praticamente não haver asfalto num raio de 30 km. da cidade. A única exceção era a BR 101. Mas ele levou. Não pretendia pagar mesmo.

Naquela manhã, entretanto, tinham roubado o Austin. Desgraçados!
– Bem que eu escutei um “barrulho” de “madrrugada”, mas achei que não “erra” nada – disse meu irmão tropeçando nos erres.
– Minha Nossa Senhora! – começou a rezar minha mãe.
– Vamos sair por aí para ver se alguém viu alguma coisa – alguém sugeriu.
Não demorou muito para que chegasse a boa notícia.
– O Austin tá lá embaixo, na outra rua, em frente à granja. O ladrão não conseguiu fazer o carro pegar.
Pudera. O Austin não tinha arranque.

Disponível em: Web Motors