Google+ Pictuelle Photography: O Voo da Galinha

15 de setembro de 2011

O Voo da Galinha

O voo da galinha (galinha voadora) Imagens rurais galinhas galos
A garota morava numa casa grande, num bairro muito distante do centro da cidade. Seu nome, Joaquina. Embora distante, era uma área urbanizada. Mas alguns moradores mantinham costumes antigos, como por exemplo, o de substituir o quintal por lavouras e criar galinhas em cativeiro. Os vizinhos dos fundos da casa de Joaquina, Seu Claudemir Arruda, Dona Vera dos Santos Arruda e “Crébis”, como era chamado Cléberson Arruda, filho do casal, se encaixavam perfeitamente neste exemplo. Tinham uma lavoura e criavam galinhas. Além, é claro, de ter um estoque imenso de lenhas para o fogão manter-se sempre aquecido e um cachorro, como prevenção aos ladrões de galinhas – quem dera este gênero de ladrão ainda existisse. A história se passava nos tempos mais atuais, de 1985 pra cá, onde o propósito destes é roubar dinheiro, móveis, eletros… Mas a família achava melhor prevenir, por tanto, o cachorro circulava junto às galinhas.
Os animais ficavam num local grande, nos fundos da humilde casa da família que mantinha as velhas tradições. Havia um muro alto, que separava a casa de Joaquina de seus vizinhos dos fundos. O muro tinha sido feito principalmente por causa dos animais.
Vez ou outra, Joaquina subia no segundo andar de sua casa e ficava espiando lá de cima a vida dos Arruda. Sem deixar que ninguém a visse, enfiava-se num cantinho da janela lá de cima e via tudo o que se passava. Na verdade, eram raras as vezes que um de seus vizinhos apareciam no cativeiro, mas quando apareciam, ou era para pegar lenha, ou dar comida aos animais, ou estrangular uma galinha (ou galo, nunca se sabe).
Galinhas são aves muito conhecidas e todos sabem que elas não voam. Mas toda regra tem sua exceção, não que esteja decretado que “é proibido galinhas voadoras no mundo”. Mas seu peso e suas asas não combinam juntos. O peso é muito grande se comparado ao tamanho das pequenas asas, o que resulta num não voo.
E esta regra estava prestes a ser quebrada quando, numa tarde ensolarada de outono Dona Vera apareceu nos fundos da residência. Não foi fazer nada de mais, apenas largar um balde cheio de grãos de café, vindo direto da lavoura. Ainda não estava torrado e nem moído. Ficaria ali, provisoriamente, perto da porta dos fundos. Por quê, não se sabe. Mas Dona Vera devia ter seus motivos.
No dia seguinte, a garota estava no segundo andar de sua casa, observando a convivência entre galinhas e cachorro. Quando apareceu Seu Claudemir. Joaquina se escondeu o mais rápido que pôde, deixando apenas os imperceptíveis olhos aparecendo. Sr. Arruda pegou o café e levou para dentro de casa. Em seguida, foi enforcar uma galinha, afinal de contas, era domingo, e segundo Dona Vera “Domingos só são domingos com ensopado de galinha”.
Seu Claudemir pulou repentinamente numa galinha. A galinha parecia agitada, escapou rapidamente. Tentou pegar a mais gordinha, mas também não adiantou. A garota soltava gargalhadas silenciosas ao observar a cena. A galinha passara por debaixo das pernas do homem!
Na terceira tentativa, o Arruda já estava nervoso. Nunca errara o bote. A galinha estava em cima da casinha do cachorro. Na altura ideal para ser pega. No que o homem atacou, a galinha pulou, abriu as asas e passou o muro, ela voou! Tanto a garota como o homem ficaram impressionados, boquiabertos. Nenhum dos dois tinha visto algo igual.
A galinha foi devolvida aos Arruda, que acharam o fato surpreendente, assim como toda a vizinhança quando ficou sabendo. A galinha nunca foi estrangulada. A família simpatizou com a gala, que passou a receber um tratamento especial. A galinha morreu de velha meses depois.
Mas o que teria feito as galinhas se agitarem tanto naquele dia? O café, é claro.