Google+ Pictuelle Photography: Carta de um anjo

11 de maio de 2012

Carta de um anjo

Caminhei por estas ruas sempre ao vento
Quando os anjos cantavam, vindo em direção a Terra.
E naquele momento, o verde destacava-se frente o
                                                     [belo azul do céu.

Batia a brisa mansa da tarde de quarta-feira,
O olhar se desviava para ver-te menear.

Na mesma hora dourada¹, fulgurante era o sol.
O ribeiro passageiro, onde peixes não havia,
refletia essa beleza e também contribuía.

Na sazão me vi pequeno, morador de um mundo
                                                                    [imane.
E há muito mais que um coração não explica,
Pois só ele viveu aquilo, e ninguém mais entenderia.

Os dias foram passando
Os anjos, cantando, aproximavam-se cada vez mais
                                                                  [da Terra.
Com um toque, eles tinham o poder de eternizar.

Fui raiado por um anjo. Voei, subi ao Céu.
Agora, cantando estou. Aproximo-me, lembro-me de tudo.
Vivo novamente a iniquidade
Porque nunca mais voltarei.

Só quero ficar mais um pouquinho, e só depois tocar
Em alguém que viverá este momento, mas nunca o
                                                                 [sentimento.

Eternamente,
                                                                             Anjo.


¹Hora dourada: Termo muito utilizado na fotografia. Refere-se a hora do dia em que o sol está se pondo, ao fim da tarde ou ao início da manhã, e encontra-se rente a linha do horizonte. Assim estando, origina-se uma luz suave e quente, que mistura muito contraste e sombras.


Nota do autor:

“Este foi um poema que eu gostei muito de construir. Levei praticamente uma tarde. Há muito significado em cada estrofe, cada verso. Nenhum poema que escrevo é simplesmente escrito. Nenhum poema no mundo é simplesmente escrito. Não bastam os versos e as estrofes; há o sentimento.

Sentimento: palavra que repito constantemente. Mas a insistência nela vale apena. Quero que vocês a tenham por perto sempre. Afinal, a experiência pecadora é única. Depois que a vida acaba, o que sobra de uma alma sem o sentimento?

Ao contrário do que costumo fazer ao fim de um poema, hoje não vou disponibilizar a interpretação deste. O poema deve ser interpretado individualmente. Até li dois poemas que falam sobre os eles mesmos: que são “únicos”. O primeiro fala isto por linguagem figurada e mais indiretamente; o outro, diretamente. Mas ambos trazem a mesma mensagem. O nome de um é “Os poemas” e de outro é “O poema”, os dois de Mário Quintana.

Utilizei algumas palavras novas que aprendi recentemente e que fizeram a diferença no texto. Sei que algumas palavras são de um grau de informatividade elevado. Algumas eu já domino há tempo, algumas recém conheci, lendo um livro bastante culto e de linguagem aguçada. Então estou disponibilizando o significado das palavras por ordem alfabética  abaixo.

Obrigado,

Mateus.”


Vocabulário:

  • Fulgurante: faiscante;
  • Imane: grande, volumoso;
  • Iniquidade: pecado;
  • Menear: sacudir, balançar;
  • Raiado: tocado, atingido;
  • Ribeiro: pequeno rio;
  • Sazão: momento, ocasião;