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2 de agosto de 2013

A banalização da arte do viver

O PODER DA ARTE E SEUS EFEITOS IRREVERSÍVEIS PARA A SOCIEDADE QUANDO MÁ UTILIZADA

Desde o tempo das cavernas, o homem tem a necessidade de expressar-se por meio da arte, como verificamos na arte rupestre, surgida em 40.000 a.C., 10.000 anos após a época em que o Homo sapiens começou a agir racionalmente. Entretanto, é possível que outros tipos de arte, como a dança, já fossem praticadas até mesmo antes disso.

Homo heidelbergensisUma das principais diferenças entre o Homo sapiens e suas espécies antecessoras é a capacidade de pensar, o que automaticamente nos dá o dom do raciocínio e da evolução intelectual, permitindo a percepção dos sentimentos e sua exteriorização por meio da arte. Tais características estão na essência da espécie humana, já que as evoluções artísticas e intelectuais ocorreram naturalmente aos humanos.

Seguindo uma ordem natural, é essencialmente necessário ter algo guardado no intelecto primeiro, e só depois coloca-lo para fora, traduzindo-o em forma de arte por meio da escrita, pintura, fotografia ou outro. Entretanto, o que muitos hoje chamam de arte, como muitas músicas sertanejas, funks, filmes e até peças de teatro, não passa de uma expressão nula, uma vez que não possui bases sólidas, não partindo do intelecto para o mundo exterior e burlando a ordem natural de sintetização de arte. Chama-se essa “arte” de arte impura ou arte ostentosa.

A arte ostentosa recebe tal nome por já nascer num mundo materialista, enquanto a ideia da verdadeira arte é justamente fazer com que um sentimento ou pensamento seja traduzido para o mundo materialista, tornando-se um pouco mais concreto, permitindo-se ser lido, apreciado, visto ou ouvido.



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A superficialidade da arte ostentosa e as bases frágeis sobre a qual é construída fazem com que se apliquem “perfeitamente” ao nosso cotidiano, pois geralmente é de fácil entendimento e sem muitas interpretações, uma vez que não há a incógnita de um verdadeiro sentimento envolvido no enredo. São exemplos da arte impura obras que nos fazem captar rapidamente a ideia para que não percamos nosso tempo, transmitindo algo supérfluo ao receptor.

Evidentemente o capitalismo acelerado faz com que humanos tomem tais atitudes, deixando-os exaustos após a jornada de trabalho ou estudo para acelerar a produção, fazendo-os optar por não “gastar” neurônios com bobagens, além de incentivar a valorização exagerada do dinheiro e dos bens materiais.

Tal mentalidade vem sido inserida no senso comum desde a transição do feudalismo para o capitalismo entre os séculos XV e XVIII. Com o enfraquecimento feudal, foi necessário instruir as pessoas de forma passiva que trabalhar para os outros era bom, pois dignificava o homem, além de dar a chance de ganhar salários e adquirir bens.

A Igreja Católica, sendo a maior senhora feudal de toda a Idade Média, perdia vassalos com o êxodo rural, instituindo a preguiça como um dos sete pecados capitais, provocando não só “vontade” de trabalhar, mas de trabalhar para a Igreja. Diversos Estados apoiaram a iniciativa católica, estabelecendo leis punindo os ociosos.



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Os humanos do século XXI têm mais de um terço de suas vidas controladas pela igreja, estado, trabalho e sociedade, que determinam o correto e o errado através de vários pensamentos equivocados surgidos, muitas vezes, para beneficiar a própria instituição criadora da ideia. Desta forma, uma pessoa com 72 anos dedicou no mínimo 24 anos de sua vida a obedecer às limitações impostas pela sociedade.

Submetidos à pressão exercida pela sociedade, os indivíduos não conseguem mais externar suas ideias e pensamentos com a mesma facilidade com que faziam em séculos anteriores.

É correto dizer que as leis e as religiões nunca foram tão liberais quanto no século XXI, porém, issoPlatão não compensa os estragos capitalistas causados na sociedade, que constitui ideias cada vez mais supérfluas sobre a vida por pensar que o mundo exterior embasa a síntese da arte. Nota-se uma vaga relação entre a definição de arte com o mundo das ideias de Platão.

Uma vez que a arte se faz do que se passa no intelecto, em breve estará extinta se a desaceleração do pensar continuar neste ritmo, incentivando, simultaneamente, a regressão mental dos humanos. Atualmente, algumas pessoas já dão claros exemplos disso, buscando tanto apoio no meio exterior que acabam ficando fragilizados em seu interior pela falta de uso do intelecto, entrando, às vezes, em depressões profundas.

Como disse Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude no Brasil, os capitalistas de hoje devem tomar cuidado para não se tornarem “vazios” por dentro. Já dizia Leonardo da Vinci, em outras palavras: assim como o ferro enferruja pelo desuso, a inércia estraga a mente.

Uma vez que a vida da espécie humana é fundamentada na expressão, ao se eliminar uma necessidade primitiva da sociedade, o que se faz é, na verdade, encomendar a própria morte.


Platão nem sempre é bem visto aqui no Pictuelle. Leia o post É verdade que não existe verdade? e descubra o porquê.



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